Café de Altitude: Por Que Ele é Mais Saboroso?

Café de Altitude: Por Que Ele é Mais Saboroso?

Nos últimos anos, o café de altitude tem ganhado cada vez mais destaque no mundo dos apreciadores de café e no mercado global de cafés especiais. Cultivado em regiões elevadas, geralmente acima de 1.000 metros de altitude, esse tipo de café é conhecido por sua qualidade superior e por apresentar sabores mais complexos e refinados. A crescente popularidade dos cafés de altitude pode ser atribuída não apenas à sua qualidade excepcional, mas também à busca dos consumidores por experiências de sabor únicas e de origem rastreada.

A altitude desempenha um papel fundamental no desenvolvimento dos grãos de café. Em altitudes mais altas, as condições climáticas, como temperaturas mais amenas e uma maior variação térmica entre o dia e a noite, favorecem o amadurecimento mais lento dos grãos. Esse amadurecimento gradual permite o desenvolvimento de sabores mais intensos e delicados, como notas frutadas, florais e uma acidez mais equilibrada.

O objetivo deste artigo é explorar as razões pelas quais os cafés de altitude são considerados mais saborosos. Vamos entender como as características climáticas e geográficas influenciam a produção de cafés com um perfil sensorial único, além de descobrir os fatores que tornam esses cafés tão especiais e procurados no mercado.

O que é Café de Altitude?

Café de altitude é aquele cultivado em regiões elevadas, geralmente a partir de 1.000 metros acima do nível do mar. As condições de clima e solo nessas altitudes oferecem um ambiente único para o crescimento do café, o que resulta em grãos de alta qualidade e sabor distinto. A principal diferença entre o café de altitude e o café cultivado em regiões mais baixas está no ritmo de amadurecimento dos grãos: em altitudes elevadas, as temperaturas mais amenas durante o dia e as noites mais frescas fazem com que os grãos amadureçam mais lentamente, permitindo o desenvolvimento de sabores mais complexos, com uma acidez mais equilibrada e notas sensoriais mais marcantes.

Além disso, o solo em regiões de alta altitude é frequentemente rico em minerais, o que também contribui para o perfil único do café. As mudanças de temperatura entre o dia e a noite favorecem o estresse térmico nas plantas, estimulando a produção de compostos que dão ao café uma intensidade de sabor diferenciada.

Regiões Produtoras de Café de Altitude

O Brasil, embora seja mais conhecido por suas grandes plantações de café em altitudes mais baixas, também possui algumas das melhores regiões produtoras de café de altitude, destacando-se pelo sabor e qualidade superiores.

  • Cerrado Mineiro: Localizado no estado de Minas Gerais, o Cerrado Mineiro é uma das regiões mais reconhecidas por seus cafés de altitude. Com altitudes que variam entre 1.000 e 1.300 metros, os cafés dessa região apresentam um sabor suave, com notas de chocolate e frutas secas, além de uma acidez suave, características típicas dos cafés cultivados a grandes altitudes.
  • Mogiana: Também situada em Minas Gerais, a região de Mogiana se destaca pela qualidade de seus cafés, que são cultivados a altitudes entre 800 e 1.200 metros. Os grãos da Mogiana são conhecidos por seu equilíbrio, apresentando uma acidez vibrante e notas de frutas vermelhas, com um corpo bem definido.
  • Mantiqueira de Minas: Esta região, também no estado de Minas Gerais, tem se tornado cada vez mais conhecida no mercado de cafés especiais. Situada a altitudes que chegam a 1.300 metros, a Mantiqueira de Minas produz cafés com uma acidez marcante, além de notas florais e frutadas, muito apreciadas por baristas e consumidores.

No cenário global, outros países também são reconhecidos pela produção de cafés de altitude excepcionais:

  • Colômbia: O país é famoso por seus cafés cultivados nas montanhas da região dos Andes, a altitudes que podem ultrapassar os 2.000 metros. Os cafés colombianos de altitude são conhecidos por sua acidez vibrante, notas frutadas e corpo bem equilibrado.
  • Etiópia: Considerada o berço do café, a Etiópia cultiva seus grãos em altitudes elevadas, principalmente nas regiões de Sidamo e Yirgacheffe, onde os cafés apresentam uma complexidade de sabores, com notas florais, cítricas e de frutas vermelhas.
  • Costa Rica: Na Costa Rica, cafés cultivados em altitudes superiores a 1.200 metros são conhecidos por seu sabor limpo, com acidez brilhante e notas de frutas cítricas, como laranja e limão.

Essas regiões, tanto no Brasil quanto no mundo, são reconhecidas pela sua capacidade de produzir cafés com características sensoriais únicas, que são altamente valorizadas no mercado de cafés especiais. A altitude, junto com o clima e as condições do solo, cria o ambiente perfeito para o cultivo de cafés que se destacam pela complexidade e sabor incomparáveis.

Como a Altitude Afeta o Sabor do Café

A altitude tem um impacto direto e significativo no sabor do café, afetando não apenas o ambiente de cultivo, mas também o desenvolvimento e as características sensoriais dos grãos. As condições climáticas e ambientais nas regiões de alta altitude criam um cenário ideal para o cultivo de cafés de qualidade superior, e isso se reflete no perfil sensorial que os consumidores tanto apreciam. Vamos explorar os principais efeitos que a altitude exerce sobre o sabor do café.

Efeito das Condições Climáticas: Temperaturas Mais Amenas e Menores Variações Térmicas

Em altitudes elevadas, as temperaturas são mais amenas, com menor variação térmica entre o dia e a noite. Durante o dia, a exposição ao sol aquece as plantações, mas as temperaturas geralmente não são tão altas quanto nas regiões mais baixas, o que ajuda a preservar a qualidade do grão. Durante a noite, a queda acentuada de temperatura acelera a respiração das plantas, causando um estresse térmico controlado que é benéfico para o café.

Esse contraste entre o calor diurno e o frio noturno favorece o amadurecimento mais lento dos grãos. Esse amadurecimento gradual permite que o café se desenvolva de maneira mais equilibrada, resultando em uma bebida mais complexa, com sabores mais bem definidos e menos propensos a notas indesejadas ou amargas.

Impacto no Crescimento do Grão: Amadurecimento Mais Lento e Desenvolvimento de Sabores Mais Complexos

O amadurecimento lento é uma das razões pelas quais os cafés cultivados em altitudes mais altas possuem sabores tão distintos. Com o amadurecimento mais gradual, os grãos têm mais tempo para absorver os nutrientes do solo e desenvolver compostos químicos que contribuem para o sabor. Como resultado, o café de altitude tende a ter uma complexidade maior em seu perfil sensorial.

Esse amadurecimento mais demorado permite o desenvolvimento de uma gama mais ampla de sabores, com notas mais intensas e marcantes. As frutas podem se tornar mais pronunciadas, os sabores florais mais evidentes, e as nuances doces podem se intensificar, criando uma experiência de sabor mais sofisticada.

Alterações na Acidez e no Perfil Sensorial do Café: Sabores Mais Frutados, Florais e com Acidez Equilibrada

Uma das características mais notáveis do café de altitude é sua acidez, que tende a ser mais vibrante e equilibrada em comparação aos cafés cultivados em regiões de baixa altitude. A acidez no café é muitas vezes descrita como um brilho ou frescor que pode lembrar notas de frutas cítricas, maçã verde ou até mesmo frutas vermelhas. Em regiões de altitude, a combinação de clima fresco e amadurecimento mais lento resulta em grãos com uma acidez mais pronunciada, mas sem ser excessiva, o que contribui para um café mais equilibrado e agradável ao paladar.

Além disso, o café de altitude é frequentemente mais frutado e floral. As notas frutadas, como aquelas de frutas cítricas ou tropicais, são mais evidentes, enquanto as notas florais, como jasmim ou flores silvestres, também podem ser percebidas, dependendo da região. Esses sabores e aromas são característicos de cafés cultivados em altitudes mais altas, onde as condições ambientais favorecem o desenvolvimento de compostos aromáticos que não são tão presentes em cafés cultivados em regiões de menor altitude.

Combinando uma acidez refinada e uma complexidade de sabores, o café de altitude oferece uma experiência sensorial única que é altamente valorizada no mercado de cafés especiais. Isso faz com que os cafés cultivados em altitudes elevadas sejam considerados superiores e apreciados por baristas, sommeliers e consumidores que buscam uma experiência mais intensa e detalhada ao degustar sua bebida favorita.

Fatores Ambientais que Contribuem para o Café de Altitude

O café de altitude não é apenas um produto do cultivo em regiões elevadas, mas também o resultado de uma combinação de fatores ambientais únicos. Clima, solo e microclima desempenham papéis essenciais na formação das características que tornam o café de altitude tão especial. Esses fatores influenciam diretamente o sabor, a acidez e a complexidade dos grãos, criando uma experiência sensorial que se destaca.

Clima e Temperatura: Noites Frescas e Dias Quentes

Uma das principais características do cultivo de café em altas altitudes é a diferenciação de temperatura entre o dia e a noite. Durante o dia, as temperaturas podem ser quentes, especialmente quando o sol incide diretamente sobre as plantações. No entanto, o grande contraste ocorre durante a noite, quando as temperaturas caem significativamente, proporcionando um descanso necessário para as plantas. Esse fenômeno, conhecido como diel, ocorre em muitas regiões de altitude e favorece um amadurecimento mais lento e controlado dos grãos.

As noites frescas e os dias quentes criam um estresse térmico controlado que acelera o processo de maturação das cerejas de café, mas de maneira gradual e equilibrada. Esse amadurecimento mais lento permite que os grãos de café se desenvolvam com mais complexidade, resultando em sabores mais intensos e refinados, além de uma acidez equilibrada, tão apreciada nos cafés de alta qualidade.

Solo e Minerais: Como a Composição do Solo Influencia a Qualidade dos Grãos

O solo das regiões de altitude também desempenha um papel crucial na qualidade do café. Os solos nessas áreas costumam ser ricos em minerais essenciais para o crescimento saudável das plantas, o que tem um impacto direto no sabor dos grãos. Solo vulcânico, por exemplo, é particularmente vantajoso, pois contém minerais como potássio, cálcio e magnésio, que são fundamentais para o desenvolvimento dos grãos e para a criação de um perfil de sabor mais complexo e agradável.

Além disso, a composição do solo pode influenciar a capacidade da planta de absorver nutrientes, o que, por sua vez, afeta o equilíbrio de compostos como os ácidos orgânicos, açúcares e lipídios nos grãos de café. Esses compostos são responsáveis por dar ao café seu perfil sensorial — desde notas frutadas e florais até um corpo mais encorpado. A interação entre o solo, o clima e a planta resulta em grãos com sabor único, refletindo as características do terroir da região.

Microclimas e Sua Importância na Formação dos Perfis de Sabor

Outro fator que contribui para a singularidade do café de altitude são os microclimas, que são variações climáticas menores dentro de uma área maior. Esses microclimas podem ser influenciados por características geográficas locais, como a proximidade de montanhas, vales ou corpos d’água, e podem criar diferenças de temperatura, umidade e exposição solar. Como resultado, em uma mesma região de altitude, pode haver variações significativas no sabor do café, dependendo de onde as plantações estão localizadas.

Por exemplo, áreas que recebem mais sol ou que estão em áreas com ventos específicos podem produzir grãos com sabores mais intensos, enquanto regiões mais sombreadas ou com umidade mais alta podem ter grãos com uma acidez mais pronunciada ou sabores mais suaves e delicados. Esses microclimas são cruciais para a formação dos perfís de sabor do café, tornando-o único e, muitas vezes, mais valorizado no mercado de cafés especiais.

Em resumo, os fatores ambientais — como o clima com suas variações térmicas, a composição mineral do solo e a influência dos microclimas — são fundamentais para o desenvolvimento de cafés de altitude com sabores refinados e complexos. Essas condições únicas de cultivo não apenas resultam em cafés de qualidade superior, mas também contribuem para a criação de perfis sensoriais exclusivos, apreciados por aqueles que buscam uma experiência de sabor diferenciada.

Benefícios de Cultivar Café em Altitude

Cultivar café em altitudes elevadas traz uma série de benefícios que não apenas contribuem para a saúde das plantações, mas também para a qualidade superior dos grãos produzidos. Esses benefícios têm impacto direto no sabor e no perfil sensorial do café, além de posicioná-lo de maneira diferenciada no mercado global. Vamos explorar os principais benefícios de cultivar café em altitudes mais altas.

Menor Incidência de Pragas e Doenças, Contribuindo para Grãos Mais Saudáveis e Menos Uso de Pesticidas

Uma das vantagens mais notáveis de cultivar café em altitudes elevadas é a menor incidência de pragas e doenças. Em regiões mais altas, as condições climáticas, como temperaturas mais baixas durante a noite e a maior variação térmica, dificultam a sobrevivência de muitos insetos e doenças que afetam o café. Isso significa que, nas plantações de café de altitude, há menos necessidade de utilizar pesticidas e outros produtos químicos.

Esse fator não só contribui para a saúde das plantas e para a preservação do meio ambiente, mas também resulta em grãos mais saudáveis e limpos, com menos contaminação por resíduos de pesticidas. O cultivo mais sustentável e a redução de insumos químicos fazem com que o café de altitude seja uma opção mais atrativa para consumidores que buscam produtos orgânicos e ambientalmente responsáveis.

Melhoria na Qualidade Geral do Grão, Resultando em Cafés Mais Finos e Complexos

O amadurecimento mais lento dos grãos, favorecido pelas condições climáticas das regiões de altitude, também tem um impacto direto na qualidade geral do grão. Esse amadurecimento gradual permite que o grão se desenvolva com mais tempo para absorver nutrientes do solo e para aumentar a complexidade dos sabores. O resultado são cafés mais finos e complexos, com uma maior profundidade de sabor e uma acidez mais equilibrada.

A interação entre o clima, o solo e a altitude permite a criação de grãos com características sensoriais únicas, que se traduzem em perfis de sabor mais ricos e sofisticados. Essas qualidades são especialmente apreciadas no mercado de cafés especiais, onde consumidores e baristas valorizam a complexidade e a originalidade de cada xícara.

Diferenciação no Mercado: Cafés de Altitude São Frequentemente Mais Valorizados e Mais Caros

A crescente valorização dos cafés de altitude está diretamente ligada à diferenciação no mercado. Por conta de sua qualidade superior e do perfil sensorial único que desenvolvem, os cafés cultivados em regiões elevadas são frequentemente mais valorizados e podem alcançar preços mais altos no mercado. As características de sabor e os processos de cultivo, que muitas vezes envolvem práticas mais sustentáveis e uma colheita mais cuidadosa, fazem com que esses cafés se destaquem entre os demais.

Além disso, os cafés de altitude são frequentemente associados a uma produção mais limitada, o que aumenta sua exclusividade e valor no mercado global de cafés especiais. Esse fator de diferenciação atrai consumidores dispostos a pagar mais por uma experiência de café única e de alta qualidade. Esse fenômeno é observado não apenas no Brasil, mas também em outros países produtores de café de altitude, como a Colômbia, Costa Rica e Etiópia, onde esses cafés se tornam um verdadeiro símbolo de prestígio.

Em resumo, cultivar café em altitude traz benefícios não apenas para a qualidade do grão, mas também para a saúde ambiental e para o posicionamento no mercado. Menor uso de pesticidas, grãos mais saudáveis, e uma qualidade superior resultam em cafés mais finos e complexos, que se destacam e são altamente valorizados no mercado de cafés especiais, tanto para consumidores exigentes quanto para os produtores que buscam se diferenciar na indústria.

Exemplos de Cafés de Altitude Premiados e Suas Características Únicas de Sabor

Os cafés de altitude se destacam nas principais premiações do setor devido à sua qualidade excepcional, complexidade sensorial e sabor diferenciado. Cultivados em regiões montanhosas, onde o clima favorece um amadurecimento mais lento dos grãos, esses cafés são conhecidos por sua doçura pronunciada, acidez equilibrada e notas aromáticas sofisticadas. A seguir, destacamos alguns dos cafés de altitude mais premiados do Brasil e do mundo.

Brasil – Minas Gerais (Cerrado Mineiro, Sul de Minas, Matas de Minas)

Minas Gerais é uma das regiões mais premiadas do Brasil quando se trata de cafés especiais de altitude. Com altitudes que variam entre 900 e 1.300 metros acima do nível do mar, o estado oferece condições ideais para o cultivo de cafés arábica de alta qualidade.

Principais características dos cafés de altitude de Minas Gerais:
✅ Notas sensoriais frutadas e florais, com toques de chocolate e caramelo.
✅ Acidez equilibrada e doçura natural acentuada.
✅ Região reconhecida pelo prêmio Cup of Excellence e outras competições internacionais de cafés especiais.

Dentre as microrregiões mais conhecidas do estado, destacam-se:

  • Cerrado Mineiro: Primeiro “Denominação de Origem” do Brasil, conhecido por cafés com doçura elevada, corpo médio e notas de chocolate e nozes.
  • Sul de Minas: Maior produtora de café do Brasil, famosa por cafés encorpados, com notas de frutas secas, chocolate e acidez equilibrada.
  • Matas de Minas: Destaque pelos cafés com notas de frutas cítricas e acidez vibrante, resultantes do clima ameno e da altitude que pode ultrapassar os 1.200 metros.

Huila, Colômbia: A Capital do Café de Altitude

A Colômbia é mundialmente reconhecida por seus cafés de altíssima qualidade, e a região de Huila se destaca como uma das melhores produtoras de café de altitude do mundo. Com plantações que variam entre 1.200 e 1.800 metros de altitude, essa região oferece cafés complexos, frequentemente premiados no Cup of Excellence, um dos concursos mais renomados do setor.

Principais características dos cafés de Huila, Colômbia:
✅ Acidez brilhante e cítrica, muitas vezes com notas de frutas vermelhas e tropicais.
✅ Corpo sedoso e doçura intensa, com notas de caramelo e chocolate ao fundo.
✅ Aroma floral e frutado, proporcionando uma experiência sensorial refinada.

Antigua, Guatemala – O Sabor Vulcânico

Outra região altamente premiada na produção de cafés de altitude é Antígua, na Guatemala. Localizada entre três vulcões, essa área se destaca pelos solos vulcânicos ricos em nutrientes e pelas altitudes que variam de 1.500 a 1.700 metros acima do nível do mar. Essas condições favorecem um café de altíssima qualidade, reconhecido por diversas premiações internacionais.

Principais características dos cafés de altitude de Antigua:
Notas marcantes de chocolate e caramelo, muitas vezes acompanhadas de um leve toque defumado.
✅ Acidez vibrante e aromas florais complexos, típicos das regiões de altitude.
✅ Certificações de qualidade e sustentabilidade que agregam ainda mais valor ao produto.

Região de Sidamo, Etiópia – A Origem do Café Arábica

A Etiópia, berço do café arábica, possui diversas regiões montanhosas que produzem grãos de altíssima qualidade. Uma das áreas mais famosas é Sidamo, localizada no sul do país, com plantações que variam de 1.500 a 2.200 metros de altitude. Os cafés de Sidamo são frequentemente premiados e muito valorizados pela complexidade de sabor e pela identidade única.

Principais características dos cafés de Sidamo, Etiópia:
✅ Perfis sensoriais exóticos, com notas florais intensas e frutadas.
✅ Alta acidez, muitas vezes lembrando frutas cítricas como laranja e limão.
✅ Região de origem do famoso método “natural process”, que contribui para cafés encorpados e adocicados.

Os cafés de altitude são um verdadeiro tesouro para os amantes de sabores diferenciados e complexos. Com características únicas resultantes de condições ambientais privilegiadas, esses cafés não apenas conquistam os paladares mais exigentes, mas também recebem prêmios e reconhecimento em competições de prestígio. Seja no Brasil, na Colômbia, na Etiópia ou em outras partes do mundo, os cafés de altitude são uma experiência sensorial única, marcada por aromas florais, acidez equilibrada e notas frutadas inconfundíveis.

Café de Altitude e Sustentabilidade: Uma Produção Mais Consciente

Os cafés de altitude não se destacam apenas pelo sabor refinado e pela qualidade excepcional dos grãos, mas também pelo impacto positivo que seu cultivo pode ter no meio ambiente. Devido às características específicas das regiões elevadas, as práticas agrícolas utilizadas nesses locais costumam ser mais sustentáveis, resultando em menor impacto ambiental e em um cultivo mais responsável.

Práticas Agrícolas Sustentáveis nas Regiões de Altitude

O cultivo de café em altitudes elevadas normalmente ocorre em regiões montanhosas e com climas mais amenos, o que influencia diretamente os métodos de plantio adotados pelos produtores. Algumas das práticas sustentáveis mais comuns incluem:

Sombreamento Natural: Muitas lavouras de café de altitude são cultivadas sob a sombra de árvores nativas. Isso não apenas protege os grãos do sol intenso, mas também favorece um amadurecimento mais lento e equilibrado, além de preservar a biodiversidade local.

Menor Uso de Pesticidas e Fertilizantes Químicos: A altitude elevada reduz naturalmente a incidência de pragas e doenças no cafezal, diminuindo a necessidade de defensivos agrícolas. Isso resulta em um cultivo mais sustentável e menos impactante para o meio ambiente.

Conservação do Solo e Recursos Hídricos: Em regiões montanhosas, os produtores adotam técnicas como o plantio em curvas de nível para evitar erosão e perda de solo fértil. Além disso, a menor temperatura nas altitudes reduz a evaporação da água, promovendo um uso mais eficiente dos recursos hídricos.

Impacto Positivo no Meio Ambiente

A produção de cafés de altitude, quando conduzida de maneira responsável, pode ter diversos benefícios ambientais:

Preservação das Florestas e da Biodiversidade: Muitas regiões de altitude destinadas ao cultivo do café são próximas a reservas naturais e biomas protegidos, como a Mata Atlântica no Brasil e as florestas montanhosas da Colômbia. O cultivo sombreado ajuda a manter esses ecossistemas e a proteger diversas espécies de plantas e animais.

Redução da Pegada de Carbono: Plantar café sob a sombra de árvores nativas reduz a necessidade de fertilizantes sintéticos e contribui para a captura de carbono, ajudando no combate às mudanças climáticas.

Produção de Café Especial e Comércio Sustentável: Muitos cafés de altitude fazem parte de certificações sustentáveis, como Rainforest Alliance, UTZ e Fair Trade, que garantem práticas ambientalmente responsáveis, comércio justo e melhores condições para os produtores.

Exemplos de Cafés de Altitude Sustentáveis

  • Sítio São Sebastião (Brasil – Minas Gerais): Premiado diversas vezes no Cup of Excellence, este café é cultivado a cerca de 1.300 metros de altitude e certificado pelo programa Certifica Minas, que incentiva a produção sustentável de café.
  • Fazenda Ambiental Fortaleza (Brasil – Mogiana): Praticante de agrofloresta, esse produtor evita o desmatamento e integra a lavoura de café com árvores nativas para um cultivo mais sustentável e biodiverso.
  • La Palma y El Tucán (Colômbia): Localizado a 1.500 metros de altitude, esse café colombiano é referência em cultivo sustentável e já recebeu diversos prêmios do Cup of Excellence.
  • Finca El Injerto (Guatemala): Localizada a 1.800 metros de altitude, esta fazenda adota métodos orgânicos e de comércio justo, garantindo qualidade excepcional e reconhecimento internacional.

O Papel do Consumidor na Sustentabilidade do Café de Altitude

A valorização dos cafés de altitude pelos consumidores é essencial para incentivar práticas sustentáveis na cafeicultura. Ao optar por cafés com certificação de origem e compromisso ambiental, os consumidores ajudam a impulsionar um setor mais ético, sustentável e benéfico tanto para os produtores quanto para o meio ambiente.

Se você deseja experimentar cafés de altitude premiados, procure por selos de qualidade, como Cup of Excellence, Rainforest Alliance e Fair Trade. Dessa forma, além de desfrutar de um café excepcional, você estará contribuindo para um futuro mais sustentável para a cafeicultura global. ☕🌿

Conclusão

O café de altitude se destaca como um dos mais apreciados no mundo devido às condições climáticas e geográficas únicas em que é cultivado. A menor temperatura e a altitude elevada promovem um amadurecimento mais lento dos grãos, resultando em cafés com maior complexidade sensorial, acidez equilibrada e notas aromáticas sofisticadas. Essas características fazem com que os cafés de altitude sejam mais saborosos e altamente valorizados no mercado global.

Além do sabor e da qualidade superior, a produção de café em regiões elevadas também está frequentemente associada a práticas agrícolas mais sustentáveis, como o cultivo sombreado, o uso reduzido de agrotóxicos e o respeito à biodiversidade. Essas práticas não apenas protegem o meio ambiente, mas também garantem um produto diferenciado e sustentável para os consumidores.

Se você aprecia cafés de qualidade, vale a pena explorar os grãos de altitude e experimentar os sabores ricos e complexos que eles oferecem. Seja um café brasileiro das montanhas de Minas Gerais ou uma safra premiada dos Andes colombianos, cada xícara conta uma história única de terroir, tradição e excelência. Experimente e descubra por que os cafés de altitude são tão especiais!

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